sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Os filhos querem colo....sempre

Os filhos querem colo...sempre.
Artigo da Revista Visão Missionária.

Na sexta feira, 12 de maio de 2011, uma amiga de meu filho pulou do oitavo andar do prédio onde morava.Era uma adolescente, tinha acabado de almoçar, estava com o uniforme do Colégio, e a mochila nas costas, o que indicava que iria para o Colégio à tarde, pois nas quartas e sextas eles têm aula o dia todo. Foi um choque para todos os colegas!
Aí vem a pergunta, por quê? Ela tinha apenas quinze anos. Que problema uma menina de quinze anos poderia ter?Fiz essa pergunta ao meu filho, e a resposta me deixou chocada.
Ele me disse:
Mãe, eu acho que era falta de colo.
Questionei:
Como assim?
E ele me disse:
- Hoje em dia, os pais trabalham praticamente o dia todo, sempre com a mesma desculpa de que querem dar aos filhos tudo aquilo que nunca tiveram, e, na maioria das vezes, eles estão conseguindo.Eles estão dando um estudo melhor, colégio, curso de idiomas, dinheiro para gastar no shopping, um computador de última geração pro filho ficar enfiado em casa durante o pouco tempo livre que sobra, roupas, tênis,, celular, tudo muito caro, etc...E sempre cobrando da gente boas notas, pois estão investindo muito...Na maioria das vezes os pais não têm mais tempo para os filhos, não conversam mais, não fazem um carinho...
Ele fez uma pausa. Eu estava boquiaberta com o que ele acabara de falar e meus pensamentos foram a mil. Mal comecei uma frase.
- Meu filho, você tem razão. É isso mesmo...
E ele me interrompeu dizendo:
Mãe, quando a gente chega em casa, o que mais a gente quer é o colo da mãe. Quando vai mal nas provas ou quando acontece alguma coisa ruim, a gente quer colo. Por que você acha que hoje tantos jovens  são quase revoltados?
Na maioria das vezes, eles estão querendo chamar  a atenção, ser notados...Só que no lugar errado e de forma errada: na rua e com violência.
Dei um grande abraço em meu filho, beijei-o com muito carinho. E lhe disse:
- Meu filho, espero que a morte de sua colega não tenha sido em vão, pois quem sabe desta forma muitos pais vão repensar suas atitudes para com seus filhos!
Ele olhou para mim, carinhosamente, e concluiu, antes de sair para a escola;
-Não somos máquinas, mãe, somos todos iguais. Não é porque o filho da vizinha tirá só dez que todos nós vamos tirar nota 10. Talvez nem todos queiramos falar inglês!
Seus olhos cheios de lágrimas revelavam a dor que sentia pela morte da colega e, ao mesmo tempo, o quanto meu filho valorizava nossa família. Já fora de casa, ele voltou correndo e me deu um forte abraço e me disse:
-Mãe, obrigado por eu poder contar sempre com você nos maus momentos...E obrigado, também, pelas broncas, pois sei que as mereço.
Depois que ele virou a esquina, fechei suavemente a porta, pensativa e convencida de que o tempo e o amor são os melhores investimentos que podemos fazer pelos nossos filhos. O resto é consequência. Nada é mais importante que estes meios essenciais para a felicidade de nossos filhos. E, sem dúvida, só assim poderemos também ser felizes com a consciência tranquila de ter cumprido bem a nossa missão de pais.